o eu que especula o outro
o choro que umedece a nuca
a fruta que descasca a boca
e a sombra que se faz no escuro
a tarde que adocica o céu
o medo que sumiu de mim
o contorno que não se decide
e o suicida que parou no ar
o menino que esqueceu o chapéu
o véu que desbotou nas mãos
a anel que ninguém mais achou
e a perna que não se quebrou
o anjo que caiu da escada
o profeta que nunca chega
e a abelha que faz cera
para sair de casa

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