terça-feira, 3 de março de 2009

Pentagrama

p/ Dayana


Orquestro a partir da pauta posta em suas costas nuas

Frisos de luz,

quase tecido,

tão decididos a nos velar

Da janela aberta o fim da tarde

Perto da noite as fitas das horas a nos orlar o amor

Com os meus lábios corpogravo notas

No compasso das tuas costas

Muitos mi’s “— minha” em semi-breve

e a melodia se compõe na cadência leve das carícias

sobre as foto oblíquas linhas que se medem

Do seu ombro até seu osso-éden

Tanto música como desenho

Tanto pauta quanto instrumento

No teu corpo toco piano

Nas tuas coxas as teclas brancas

Os semi-tons nos teus cabelos

Tateio pela textura-tesura do corpo teu

Pelo homogêneo macio intenso dos teus seios

Pelo crespo das ornamentadas rendas que eu lhe dei

Tateio pela tessitura-tesura do seu corpo

Do grave amor dos teus pés em pêlo

À paixão aguda dos teus lábios tesos

E o crepúsculo que é de todos

E a todos anuncia, sisudo e sereno, o fim da faina

Em nosso quarto vem com o labor de um artesão

Lhe pinta no dorso um pentagrama

E acaba que a canção sai em carvão-aquarela-crayon

Um comentário: