terça-feira, 3 de março de 2009

Uma manhã

p/ Dayana


A luz que entra pela janela

É amarela e tem a textura de quando se imagina

A minha perna descansa no seu sexo

E os meus lábios muito bem acordados imitam o que está quieto

Tenho os dedos intercalados nos teus cabelos

Os pêlos do peito ao alcance de um assopro seu

Temos os olhos maduros e doces

E cada pé namorando os outros três

Uma manhã prepotente

Que não faz de um nada para ser tão importante

E o é

Uma manhã sem cantos de passarinho

Sem sino de igreja

Nem riso de criança...

Uma manhã sem manha

Sem malícia

Nem humildade

Uma manhã sem cor-de-rosa

Nem cor de mel

Sem rima

Sem rimel

Sem tons pastéis

O dia acordou dono de si

Não devendo nada a ninguém

Tranqüilo e forte

Belo e eterno

Como o nosso amor


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